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RADAR
05/01/2013
Banco mais antigo da Suíça fecha as portas após escândalo de evasão fiscal

Os bancos suíços sofreram ontem um de seus piores golpes da história. A mais antiga instituição financeira da Suíça, o Wegelin & Co., anunciou que vai fechar suas portas, depois de admitir ter ajudado clientes americanos a promover uma evasão fiscal de mais de US$ 1,2 bilhão e esconder o dinheiro em contas suíças.

A condenação e o fim do banco representam um divisor de águas na história do sistema bancário suíço e suas práticas de ter recebido, por décadas, dinheiro de origem criminosa ou de evasão, sem jamais terem sido condenados. Hoje, os bancos suíços têm optado por promover sua expansão não nos países ricos, onde estão sendo pressionados, mas nos emergentes, em busca dos novos ricos desses mercados, entre eles o do Brasil.

Criado em 1741 e símbolo do país dos bancos, o Wegelin admitiu seus crimes em um julgamento nos EUA. O banco pagará uma multa de US$ 57,8 milhões. Mas o caso eclodiu como uma bomba na Suíça e poderia ser o ponto de virada da luta de países como EUA, França e Alemanha contra o sistema bancário suíço.

Otto Bruderer, um dos donos do banco, reconheceu em um comunicado que, entre 2002 e 2010, sua instituição ajudou americanos a escapar dos impostos. "Uma vez que o caso tenha sido concluído, o Wegelin deixará de operar como um banco", declarou a instituição.

Nos últimos três anos, dezenas de banqueiros suíços têm sido presos e condenados nos EUA. Bancos têm alertado a seus funcionários a nem mesmo passar férias nos EUA, sob o risco de serem presos. Atualmente, Michael Berlinka, Urs Frei e Roger Keller, ex-executivos do Wegelin, foram declarados pela Justiça americana como "foragidos".

Em 2009, outro banco suíço, UBS aceitou entregar à Justiça americana 4,4 mil nomes de correntistas que teriam burlado o fisco americano. Além disso, o banco pagou multa de US$ 780 milhões. Mas se recusou a admitir o crime. Em troca de informações, Bradley Birkenfeld, ex-banqueiro do UBS, recebeu US$ 104 milhões do governo americano em prêmio. Outro banco investigado foi o Credit Suisse, além do Basler Kantonalbank. A vice-procuradora geral dos EUA, Kathryn Keneally, deixou claro ontem que uma das prioridades da Justiça será a de punir bancos que ajudem sonegadores.

Emergentes

Temendo ações e mesmo prisão nos EUA, muitos dos bancos de gestão de fortuna da Suíça estão hoje concentrando sua expansão nos mercados emergentes, com especial foco no Brasil e na busca pelos novos milionários brasileiros.

As acusações contra os bancos suíços, porém, também ocorreram no Brasil e alguns banqueiros foram detidos. Na época, os bancos suíços acusaram autoridades brasileiras de promoverem processos "políticos" contra o Credit Suisse e o UBS. Para os suíços, o que a Justiça faz no Brasil é "um ato de pura relações públicas", ao colocar banqueiros na prisão. Segundo o então presidente da Associação de Bancos Suíços, Pierre Mirabaud, o indiciamento dos banqueiros na Operação Suíça e na Operação Kaspar teria sido "uma loucura".

Mas as denúncias não pararam. A imprensa suíça revelou como o UBS teria usado projetos sociais, até no Brasil, para ajudar milionários de todo o mundo a praticar evasão fiscal. As informações foram reveladas pelo jornal suíço Le Temps e indicam que o banco incentivava clientes milionários que quisessem manter suas contas não declaradas a dar parte de seus recursos a seus projetos sociais espalhados pelo mundo para contornar as autoridades fiscais.

No Brasil, o UBS apoiava três projetos: a melhoria de escolas na Bahia, pesquisas contra a doença de Chagas e assistência a crianças prematuras no Rio.

Segundo o jornal Le Temps, o UBS criou em 1999 a fundação Optimus, que gerenciava uma fortuna de mais de US$ 30 milhões em 2007 para aplicar em projetos sociais. Além disso, contava com recursos de mais de US$ 50 milhões depositados por doadores em um fundo de investimento em Luxemburgo. Os dividendos e juros gerados pelo fundo eram destinados aos programas sociais do UBS.

O sistema funcionaria de forma relativamente simples. Um milionário que quisesse enviar para um paraíso fiscal seu dinheiro poderia aplicar seus recursos no fundo de Luxemburgo, alegando que fazia uma ação social. De fato fazia, com os juros que os recursos geravam. Mas, ao mesmo tempo, transferia recursos para o exterior, fugindo do fisco.

Estadão

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